A Menina da Lanterna

Minha luz vou levando
Sempre dela cuidando
Se alguém precisar
dela posso lhe dar!

História

Era uma vez uma menina que carregava alegremente a sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento, que com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.
– Ah! – exclamou a menina – Quem poderá reacender a minha lanterna?
Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém.
Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.
– Querido ouriço! – exclamou a menina. – O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.
“-NÃO SEI DIZER-LHE, PERGUNTE A OUTRO! NÃO POSSO DEMORAR, CORRO PARA CASA, DOS FILHOS VOU CUIDAR!”
A menina continuou caminhando e encontrou-se com o urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.
– Querido urso! – falou a menina – O vento apagou a minha luz. Será que você sabe quem poderia acender a minha lanterna?
E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.
“- NÃO SEI DIZER-LHE. PERGUNTE A OUTRO, ESTOU COM SONO. VOU DORMIR E REPOUSAR.”
Surgiu, então, uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou o seu focinho e, farejando, descobriu a menina e mandou que ela voltasse para casa, porque a menina espantava os ratinhos.
“- QUE FAZES AQUI NA FLORESTA? VOLTE PARA SUA CASA. NÃO VÊS? ESTOU CAÇANDO E VOCÊ AFUGENTA OS RATINHOS!
Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou. Neste momento surgiu uma estrela que lhe disse para ir perguntar ao Sol, pois ele poderia ajudá-la. Depois de ouvir o conselho da estrela, a menina criou coragem para continuar o seu caminho. Finalmente, chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher bem velhinha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta e a cumprimentou.
– Bom dia, querida vovó.
– Bom dia, menina.
A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se ela queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la, porque ela fiava sem cessar a sua roca não podia parar. Mas pediu à menina que descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou a lanterna e continuou a sua caminhada.
Mais para frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava sentado à porta, consertando muitos sapatos. A menina cumprimentou-o e perguntou se ele conhecia o caminho do sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que seu caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois que descansou, pegou a sua lanterna e continuou a caminhada.
Bem longe, avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima, pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem respondeu. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.
Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou no topo, já era noite e o sol não estava lá.
– Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina e sentou na terra. Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.
O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Então, ao amanhecer, ele desceu bem devagarzinho, para não acordar a menina e acendeu a sua lanterna. Depois que sol voltou para o céu, ela acordou.
– OH! A MINHA LANTERNA ESTÁ ACESA!
– Alegremente agradeceu ao sol e pôs-se a caminho novamente.
Na volta, reencontrou a criança, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram, então, a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.
A menina da lanterna continuou o seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste, na sua oficina. Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do sapateiro, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar os seus sapatos. A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta:
E chegou ao casebre da velhinha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz. A fiandeira agradeceu e logo a sua roca girou sem cessar, fiando, fiando sem cansar.
Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho de sua lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.
A MENINA ABRAÇOU A CADA UM E VOLTOU MUITO FELIZ PARA SUA CASA, SEMPRE CANTANDO SUA CANÇÃO:

“EU VOU COM MINHA LANTERNA,
E ELA COMIGO VAI
NO CÉU BRILHAM ESTRELAS,
NA TERRA BRILHAMOS NÓS.
A LUZ SE APAGOU
BUSCÁ-LA EU VOU
COM MINHA LANTERNA NA MÃO.”

Ritmo da Lanterna
Essa é uma pergunta comum que pais de alunos Waldorf escutam quando falam sobre a Festa da Lanterna com seus familiares. E por ser uma celebração tão especial, merece ser integralmente compreendida por quem se interessar…
A Festa da Lanterna é uma linda e delicada comemoração de origem europeia, que hoje é tradicionalmente celebrada em todos os jardins de infância das Escolas Waldorf, na época que antecede as festas de São João. Seu simbolismo é claramente expresso na história da Menina da Lanterna, que vale a pena ser lida!
Seus personagens passam por diversas situações que ilustram o caminho de autoconhecimento que cada um percorre em sua vida através da busca pela luz interior. Uma nova consciência que provoca transformações profundas e só pode ser realmente plena quando compartilhada para o bem de todos.
A chegada do inverno traz uma sensação de frio quando nos referimos ao meio ambiente, mas em contrapartida também pode nos remeter a uma atmosfera de calor interno ao observarmos o movimento introspectivo que essa estação nos propõe. É justamente nessa época que a festa da lanterna acontece. Por isso, as crianças não precisam compreender racionalmente o significado da comemoração, lhes cabe apenas sentir a quietude que a natureza traz e ao mesmo tempo vivenciar inconscientemente e livre de conceitos, a magia desse momento através de músicas, contos e atividades típicas. Quanto menor a criança, mais sutis deverão ser os gestos de pais e professores, desadormecendo suavemente aquilo que vive em estado latente na alma humana, e espera ser despertado.
Na história, cada passagem ilustra um momento no percurso do desenvolvimento pessoal. A personagem principal é uma menina que caminha segurando uma lanterna, e logo no início é surpreendida pelo vento que apaga sua luz. Esse momento simboliza a necessidade do ser humano iniciar um caminho de autoconhecimento a fim de reencontrar-se com sua luminosidade interior.
À medida que segue seu caminho depara-se com diversos animais, os quais representam nossos instintos básicos que precisam ser dominados com o propósito de acordarmos para além do mundo material que nos cerca. Em seguida, as estrelas, canal cósmico entre os homens e a sabedoria plena, a aconselham transmitindo coragem para que a menina siga sua peregrinação.
Logo ela estará defronte aos três princípios básicos que regem a nossa vida: o pensar, o querer e o sentir. Respectivamente simbolizados pela velha que tece o fio do pensamento, o sapateiro que com sua força de vontade e ação nos mantém com os pés no chão e a criança da bola que vivencia o mundo através da liberdade de seus sentimentos. Embora a menina solicite a ajuda de ambos, estes também lhe negam auxílio. Ela decide então continuar sozinha, mas por estar muito cansada acaba adormecendo. Os vários “nãos” que recebe ao trilhar seu caminho representam uma escolha solitária que exige coragem e persistência. Quando então desperta, percebe que sua lanterna está acesa e fica muito feliz. Tal postura reflete o movimento de entrega a um plano maior, pois somente através da fé podemos nos reencontrar com nosso potencial interior.
A menina inicia alegremente seu retorno. Quando caminha de volta, vai revendo cada um daqueles com quem se deparou na ida e devido à transformação e ao crescimento, provenientes da sua iluminação, oferece auxílio a cada um deles; o que denota que todo processo de desenvolvimento só é válido quando compartilhado com os demais. Sua doação ao iluminar o caminho, inclusive dos animais, mostra que reconhece seus instintos e é capaz de dominar seu mundo interior.

 

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