Dia de São Nicolau

História de São Nicolau – Uma História de Advento

Era uma vez um menino muito bom, que gostava muito de crianças. Com todo o carinho, dedicava-se a eles ensinando-lhes histórias.

E todas as crianças podiam ir à sua casa uma vez por semana para ouvir essas histórias. A casa ficava sempre cheia. Nicolau – era esse o nome do bom menino – tinha uma grande casa, cuidada por um velho servo que tinha como especialidade fazer biscoitos muito gostosos.

No dia da semana em que as crianças vinham para a casa de Nicolau para cantar, fazer música e ouvir histórias, o velho servo preparava muitas fornadas de gostosos biscoitos. E, na época em que as macieiras estavam carregadinhas de maçãs, ia ele também colher um cesto cheio delas. Ao final da tarde, quando as crianças terminavam suas atividades e se despediam, passavam pela cozinha e lá havia sempre biscoitos ou maçãs ou mesmo nozes para elas.

Um dia, certa menina, muito pobrezinha, que vinha sempre às reuniões não compareceu, por estar doente.

Depois que todos se despediram, Nicolau preparou um saquinho com um pouco de cada guloseima e maçãs. Como se a menina morasse muito distante, Nicolau montou seu cavalo para ir mais depressa até lá. Mesmo assim, quando chegou, já estavam todos dormindo. As portas e janelas estavam fechadas. Mas, diante da porta dos fundos, Nicolau viu os sapatos da menina e ali colocou seu presente.

Anos se passaram, as crianças cresceram, casaram, tiveram filhos e os seus filhos também iam à casa de Nicolau aprender versos e canções e ouvir histórias. Mas, Nicolau foi ficando velhinho, muito velhinho. Adoeceu e não pôde mais deixar o leito. Então, as crianças iam todos os dias para lhe cantar canções, para que ele não se sentisse sozinho e triste.

Chegou o dia em que Deus chamou Nicolau e ele morreu. Quando, porém, chegou ao Céu, olhando para baixo e vendo todas aquelas crianças que choravam inconsoláveis, Nicolau pediu para voltar à Terra. Deus lhe disse que isto não era possível.

Mas, por ter sido um homem muito bom, Deus deu a Nicolau a possibilidade de, uma vez por ano, no dia 6 de dezembro, visitar a Terra e a todas as crianças. As crianças boazinhas  é claro! Nesta sua visita são muito poucas as pessoas que o vêem . Por quê? Porque é preciso ter um sentimento muito especial no coração para poder ver alguém como Nicolau.

E quando vem a Terra, vem para alegrar as crianças. Traz para elas maçãs, nozes e biscoitos, e os coloca em seus sapatinhos ou diante de suas portas. E as crianças, o que fazem? Cantam canções e recitam versos. Mas, não esqueçam que Nicolau, durante o ano todinho, olha para Terra e vê cada uma das crianças e tudo o que faz. Ele anota em seu grande livro de ouro as coisas boas e belas e as coisas feias também.

São Nicolau vem visitar a casa das crianças na noite do dia 5 para o dia 6 de dezembro.

Coloca-se um sapatinho ou uma meia na janela ou embaixo do pinheiro, forrá-lo com papel para São Nicolau poder deixar suas dádivas: nozes, castanhas ou avelãs, uma maçã e pão de mel. Para o cavalo branco de São Nicolau colocar uma cenoura e matinho. Não esquecer que o cavalinho come tudinho!

Festa de São João




Ritmo São João

 
Mês de junho, mês de frio.
Quanta folha pelo chão.
Cada uma tem um fio
Que me aperta o coração.
 
Mês de junho, São João…
Quem me dera ser pequeno!
Que saudades do clarão
Da fogueira, do sereno!
Viva, São João!
 
   
O Ritmo de São João é um bom momento para reflexão…
Estamos entrando no inverno, o clima é frio, à noite chega mais cedo e se torna mais longa, temos vontade de voltar logo para casa e ficar bem quentinhos. Tudo favorece ao recolhimento, a interiorização, uma busca para dentro de nós mesmos.
A natureza também se recolhe e guarda suas forças no íntimo da terra para desabrochar novamente na primavera. Todas as sementes no inverno esperam na terra a luz solar, para brotarem com força depois do recolhimento. Assim, na época Romana a Terra vivia um grande recolhimento, um momento de secura de vida a espera pela luz de Cristo, que seria anunciada por São João. Pois a Terra naquela época vivia um grande inverno.
Nesse ambiente introspectivo e com os corações aquecidos, começamos a nos envolver com o caráter espiritual da Época de São João.
  A festa de São João fecha o primeiro semestre do ano, é a época em que, naturalmente, revisamos as metas projetadas na virada do ano anterior e fazemos um balanço do que conseguimos realizar. São João é o marco do que está por vir. Ao revermos nossos projetos externos e internos, ressoa fortemente na alma a voz da consciência; tornamo-nos sensíveis aos nossos padrões de comportamento repetitivos, aos erros reincidentes que funcionam como um freio na atuação individual que expressa mais limpidamente o nosso próprio ser.
 O chamado individual, nesta época de São João, é forte. Em relação aos compromissos, que tudo vai depender do que seremos capazes. Renascer nas pequenas ações ordinárias do dia a dia, eis a Iniciação moderna. Tão contemporânea que na luta diária não nos damos conta do esforço que fazemos para manter a presença de espírito e para manter a presença de espírito e para não desviar nossa atenção procurando por grandes promessas de transformação. Respirando fundo, podemos reunir na alma, forças novas: de um lado, o stress é uma maneira de ser e lidar com as coisas. Reunimos coragem e pulamos a fogueira de São João. Do outro lado com a força individual intensificada, renovamos a disposição para o que, ainda antes do final do ano, queremos alcançar.
João veio ao mundo para preparar o coração dos homens para o advento do Cristo. Ele representava uma era que estava terminando, que não poderia mais existir a partir do momento em que Jesus se tornou Cristo. Quando pregava o arrependimento, ele queria mostrar que o ser humano precisava buscar uma nova consciência para poder viver uma nova era – a possibilidade individual de cada ser humano encontrar conscientemente o caminho da espiritualidade.
Assim, na festa de São João a simbologia da fogueira, nos remete a lenha que se consome, ou seja, que diminui para que as labaredas cresçam. Aproveitar para fortalecer o fogo divino e transformador que temos dentro de nós deve ser então a verdadeira motivação para a época de São João.

Festa da Lanterna

Festa da Lanterna

Caixa de texto: Eu vou com a minha lanterna
E ela comigo vai
No céu, brilham estrelas
Na terra, brilhamos nós
Minha luz se apagou 
Pra casa eu vou
Com minha lanterna na mão

A Festa da Lanterna, assim como a Festa da Páscoa, de São João, da Primavera, do Advento e Natal fazem parte do calendário escolar waldorf.  Através das festas do ano, as crianças vivenciam o grande ritmo das estações. É uma maneira de nós, adultos, recebermos e acolhermos essas crianças que querem se situar no mundo. Preciosos valores são semeados no interior de cada uma delas, de maneira inconsciente, simbólica e sem conceitos. Essas sementes mais tarde, transformam-se em forças sociais.

No dia 30 e 31 de maio realizaremos no Sol Dourado Jardim Waldorf a Festa da Lanterna, que é intensamente vivenciada pelas crianças do Maternal e Jardim de infância, nas Escolas Waldorf, é o Ritmo da Lanterna que antecede a Festa de São João.

No final do outono, quando as noites vão ficando mais longas e frias a natureza sofre com uma aquietação como o próprio homem iniciam um impulso de contração, de uma interiorização a busca para dentro de nós mesmos, da luz que vive no nosso interior.

Em toda chegada de uma nova estação, buscamos direcionar novas atividades e assumir uma postura coerente com as qualidades que a época inspira. Imbuídos de sentimentos verdadeiros tornamos quase que tradutores dessas qualidades que a natureza emana.

Quanto menores as crianças, mais sutis serão nossos gestos, mais plenos de imagens serão os conteúdos trabalhados no dia a dia.

A estória da “Menina da Lanterna” que é contada pelos professores traz vários elementos de significado espiritual representados por cada personagem. E num todo o conto mostra a trajetória da alma humana em busca da consciência de si mesma, em busca da luz do Sol (Luz Crística) para sua transformação interior, abrindo caminhos ao doar-se.

Este conteúdo pode ser vivenciado pelas crianças como um belo conto de fadas num nível imaginativo e numa atmosfera de sonho.

As lanternas são preparadas pelos pais. As crianças presenciam e participam com muito entusiasmo e alegria do clima que, lentamente, vai tomando conta da escola.  Aprendem músicas e escutam pequenas estórias e poesias relacionadas ao tema.

Durante a festa as crianças irão carregar suas lanternas simbolizando sua luz interior: o fogo divino e transformador que todo o ser humano tem dentro de si. Trilhar esse caminho é uma prova de coragem, e a lanterna acessa é um estímulo que pode ajudar os pequenos. Caminhando juntos, todos cantam canções folclóricas que nos falam sobre o homem, sobre a natureza, sobre o céu e a Terra e suas relações.

O ideal é que esta atmosfera especial possa ter continuidade em casa! Interessante na última refeição do dia em cada lar não acender as luzes, as próprias lanternas iluminarão o ambiente, lembrando assim o clima que todos vivenciaram, propiciando harmonia e união familiar. Desta forma as crianças poderão dormir preenchidas pelas imagens da busca da luz e da manutenção desta dentro de si.

Doar esta luz tão especial será um passo, que poderá transformar-se num impulso social na vida futura de cada um.

E cabem os adultos, pais e professores, vivenciar a Época da Lanterna e o Passeio da Lanterna com plena consciência trazendo as crianças, com veneração, os sentimentos belos, bons e verdadeiros pertinentes a essa época do ano.

O recolhimento que se manifesta nessa época nos aproxima de nossos conteúdos interiores. Este caminho é simbolizado nas Escolas Waldorf através da história da Menina da Lanterna que busca sua luz interior.

História: A MENINA DA LANTERNA 

“Eu vou com minha lanterna,

e ela comigo vai

No céu brilham estrelas,

Na terra brilhamos nós.

a luz se apagou

BUSCÁ-LA eu vou

com minha lanterna na mão.”

           Era uma vez uma menina que carregava alegremente a sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento, que com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.

– Ah! – exclamou a menina – Quem poderá reacender a minha lanterna?

Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém.

           Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.

– Querido ouriço! – exclamou a menina. – O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.

– Não sei dizer-lhe, pergunte a outro! não posso demorar, corro para casa, dos filhos vou cuidar!”

           A menina continuou caminhando e encontrou-se com o urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.

– Querido urso! – falou a menina – O vento apagou a minha luz. Será que você sabe quem poderia acender a minha lanterna?

E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.

“- não sei dizer-lhe. Pergunte a outro, Estou com sono. Vou dormir e repousar.”

           Surgiu, então, uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou o seu focinho e, farejando, descobriu a menina e mandou que ela voltasse para casa, porque a menina espantava os ratinhos.

“- Que  fazes aqui na floresta? Volte para sua casa. não vês? Estou caçando e você afugenta os ratinhos!

           Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou. Neste momento surgiu uma estrela que lhe disse para ir perguntar ao Sol, pois ele poderia ajudá-la. Depois de ouvir o conselho da estrela, a menina criou coragem para continuar o seu caminho. Finalmente, chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher bem velhinha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta e a cumprimentou.

– Bom dia, querida vovó.

– Bom dia, menina.

           A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se ela queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la, porque ela fiava sem cessar a sua roca não podia parar. Mas pediu à menina que descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou a lanterna e continuou a sua caminhada.

           Mais para frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava sentado à porta, consertando muitos sapatos. A menina cumprimentou-o e perguntou se ele conhecia o caminho do sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que seu caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois que descansou, pegou a sua lanterna e continuou a caminhada.

           Bem longe, avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima, pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a  para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem respondeu. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.

           Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou no topo, já era noite e o sol não estava lá.

– Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina e sentou na terra. Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.

           O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Então, ao amanhecer, ele desceu bem devagarzinho, para não acordar a menina e acendeu a sua lanterna. Depois que sol voltou para o céu, ela acordou.

– oh! A minha lanterna está acesa!

– Alegremente agradeceu ao sol e pôs-se a caminho novamente.

           Na volta, reencontrou a criança, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram, então, a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.

           A menina da lanterna continuou o seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste, na sua oficina. Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do sapateiro, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar os seus sapatos. A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta:

          E chegou ao casebre da velhinha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz. A fiandeira agradeceu e logo a sua roca girou sem cessar, fiando, fiando sem cansar.

           Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho de sua lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.

a menina ABRAÇOU A CADA UM E voltou muito feliz para sua casa, sempre cantando sua canção:

“Eu vou com minha lanterna,

e ela comigo vai

No céu brilham estrelas,

Na terra brilhamos nós.

a luz se apagou

BUSCÁ-LA eu vou

com minha lanterna na mão.”

Análise da história menina da lanterna

      Todos nós passamos por momentos difíceis na vida, momentos em que nos sentimos desorientados e sem rumo.

     Este momento é simbolizado na história quando a menina tem a luz de sua lanterna apagada e por consequência precisa iniciar um caminho de autodesenvolvimento para reencontrá-la.

     Em princípio ela encontra os animais que representam nossos instintos básicos e que precisam ser dominados. Todos eles negam-se a ajudá-la nesse momento, e ela adormece para um sonho. Nesse sonho recebe ajuda das estrelas que indicam o caminho a seguir.

     Posteriormente ela se depara com três partes que formam o homem: o pensar, o querer, e o sentir; representados respectivamente pela fiandeira que tece o fio do pensamento; o sapateiro que com sua vontade e ação faz sapatos que nos mantém os pés no chão; e a criança da bola que experiência o mundo com seus sentimentos. A menina da lanterna pede ajuda para a fiandeira, para o sapateiro e para a criança da bola, mas esta também é negada. A menina desanimada desiste; se entrega e adormece para um sono profundo. Ao despertar para o mundo físico ela encontra sua luz, e na volta ilumina o caminho daqueles que precisam, num gesto de doação e amadurecimento do seu sentir, querer e pensar. Ao reencontrar os animais e ajudá-los, também está reconhecendo seus instintos e dominando seu mundo interior.

       As crianças vão se aproximando deste conteúdo inconscientemente ano a ano, e dessa vivência tira lições muito importantes para a vida. A peça é vivenciada, anualmente, por ser um importante alimento anímico altamente energético!