Festa de São João




Ritmo São João

 
Mês de junho, mês de frio.
Quanta folha pelo chão.
Cada uma tem um fio
Que me aperta o coração.
 
Mês de junho, São João…
Quem me dera ser pequeno!
Que saudades do clarão
Da fogueira, do sereno!
Viva, São João!
 
   
O Ritmo de São João é um bom momento para reflexão…
Estamos entrando no inverno, o clima é frio, à noite chega mais cedo e se torna mais longa, temos vontade de voltar logo para casa e ficar bem quentinhos. Tudo favorece ao recolhimento, a interiorização, uma busca para dentro de nós mesmos.
A natureza também se recolhe e guarda suas forças no íntimo da terra para desabrochar novamente na primavera. Todas as sementes no inverno esperam na terra a luz solar, para brotarem com força depois do recolhimento. Assim, na época Romana a Terra vivia um grande recolhimento, um momento de secura de vida a espera pela luz de Cristo, que seria anunciada por São João. Pois a Terra naquela época vivia um grande inverno.
Nesse ambiente introspectivo e com os corações aquecidos, começamos a nos envolver com o caráter espiritual da Época de São João.
  A festa de São João fecha o primeiro semestre do ano, é a época em que, naturalmente, revisamos as metas projetadas na virada do ano anterior e fazemos um balanço do que conseguimos realizar. São João é o marco do que está por vir. Ao revermos nossos projetos externos e internos, ressoa fortemente na alma a voz da consciência; tornamo-nos sensíveis aos nossos padrões de comportamento repetitivos, aos erros reincidentes que funcionam como um freio na atuação individual que expressa mais limpidamente o nosso próprio ser.
 O chamado individual, nesta época de São João, é forte. Em relação aos compromissos, que tudo vai depender do que seremos capazes. Renascer nas pequenas ações ordinárias do dia a dia, eis a Iniciação moderna. Tão contemporânea que na luta diária não nos damos conta do esforço que fazemos para manter a presença de espírito e para manter a presença de espírito e para não desviar nossa atenção procurando por grandes promessas de transformação. Respirando fundo, podemos reunir na alma, forças novas: de um lado, o stress é uma maneira de ser e lidar com as coisas. Reunimos coragem e pulamos a fogueira de São João. Do outro lado com a força individual intensificada, renovamos a disposição para o que, ainda antes do final do ano, queremos alcançar.
João veio ao mundo para preparar o coração dos homens para o advento do Cristo. Ele representava uma era que estava terminando, que não poderia mais existir a partir do momento em que Jesus se tornou Cristo. Quando pregava o arrependimento, ele queria mostrar que o ser humano precisava buscar uma nova consciência para poder viver uma nova era – a possibilidade individual de cada ser humano encontrar conscientemente o caminho da espiritualidade.
Assim, na festa de São João a simbologia da fogueira, nos remete a lenha que se consome, ou seja, que diminui para que as labaredas cresçam. Aproveitar para fortalecer o fogo divino e transformador que temos dentro de nós deve ser então a verdadeira motivação para a época de São João.
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Festa da Lanterna

Festa da Lanterna

Caixa de texto: Eu vou com a minha lanterna
E ela comigo vai
No céu, brilham estrelas
Na terra, brilhamos nós
Minha luz se apagou 
Pra casa eu vou
Com minha lanterna na mão

A Festa da Lanterna, assim como a Festa da Páscoa, de São João, da Primavera, do Advento e Natal fazem parte do calendário escolar waldorf.  Através das festas do ano, as crianças vivenciam o grande ritmo das estações. É uma maneira de nós, adultos, recebermos e acolhermos essas crianças que querem se situar no mundo. Preciosos valores são semeados no interior de cada uma delas, de maneira inconsciente, simbólica e sem conceitos. Essas sementes mais tarde, transformam-se em forças sociais.

No dia 30 e 31 de maio realizaremos no Sol Dourado Jardim Waldorf a Festa da Lanterna, que é intensamente vivenciada pelas crianças do Maternal e Jardim de infância, nas Escolas Waldorf, é o Ritmo da Lanterna que antecede a Festa de São João.

No final do outono, quando as noites vão ficando mais longas e frias a natureza sofre com uma aquietação como o próprio homem iniciam um impulso de contração, de uma interiorização a busca para dentro de nós mesmos, da luz que vive no nosso interior.

Em toda chegada de uma nova estação, buscamos direcionar novas atividades e assumir uma postura coerente com as qualidades que a época inspira. Imbuídos de sentimentos verdadeiros tornamos quase que tradutores dessas qualidades que a natureza emana.

Quanto menores as crianças, mais sutis serão nossos gestos, mais plenos de imagens serão os conteúdos trabalhados no dia a dia.

A estória da “Menina da Lanterna” que é contada pelos professores traz vários elementos de significado espiritual representados por cada personagem. E num todo o conto mostra a trajetória da alma humana em busca da consciência de si mesma, em busca da luz do Sol (Luz Crística) para sua transformação interior, abrindo caminhos ao doar-se.

Este conteúdo pode ser vivenciado pelas crianças como um belo conto de fadas num nível imaginativo e numa atmosfera de sonho.

As lanternas são preparadas pelos pais. As crianças presenciam e participam com muito entusiasmo e alegria do clima que, lentamente, vai tomando conta da escola.  Aprendem músicas e escutam pequenas estórias e poesias relacionadas ao tema.

Durante a festa as crianças irão carregar suas lanternas simbolizando sua luz interior: o fogo divino e transformador que todo o ser humano tem dentro de si. Trilhar esse caminho é uma prova de coragem, e a lanterna acessa é um estímulo que pode ajudar os pequenos. Caminhando juntos, todos cantam canções folclóricas que nos falam sobre o homem, sobre a natureza, sobre o céu e a Terra e suas relações.

O ideal é que esta atmosfera especial possa ter continuidade em casa! Interessante na última refeição do dia em cada lar não acender as luzes, as próprias lanternas iluminarão o ambiente, lembrando assim o clima que todos vivenciaram, propiciando harmonia e união familiar. Desta forma as crianças poderão dormir preenchidas pelas imagens da busca da luz e da manutenção desta dentro de si.

Doar esta luz tão especial será um passo, que poderá transformar-se num impulso social na vida futura de cada um.

E cabem os adultos, pais e professores, vivenciar a Época da Lanterna e o Passeio da Lanterna com plena consciência trazendo as crianças, com veneração, os sentimentos belos, bons e verdadeiros pertinentes a essa época do ano.

O recolhimento que se manifesta nessa época nos aproxima de nossos conteúdos interiores. Este caminho é simbolizado nas Escolas Waldorf através da história da Menina da Lanterna que busca sua luz interior.

História: A MENINA DA LANTERNA 

“Eu vou com minha lanterna,

e ela comigo vai

No céu brilham estrelas,

Na terra brilhamos nós.

a luz se apagou

BUSCÁ-LA eu vou

com minha lanterna na mão.”

           Era uma vez uma menina que carregava alegremente a sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento, que com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.

– Ah! – exclamou a menina – Quem poderá reacender a minha lanterna?

Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém.

           Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.

– Querido ouriço! – exclamou a menina. – O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.

– Não sei dizer-lhe, pergunte a outro! não posso demorar, corro para casa, dos filhos vou cuidar!”

           A menina continuou caminhando e encontrou-se com o urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.

– Querido urso! – falou a menina – O vento apagou a minha luz. Será que você sabe quem poderia acender a minha lanterna?

E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.

“- não sei dizer-lhe. Pergunte a outro, Estou com sono. Vou dormir e repousar.”

           Surgiu, então, uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou o seu focinho e, farejando, descobriu a menina e mandou que ela voltasse para casa, porque a menina espantava os ratinhos.

“- Que  fazes aqui na floresta? Volte para sua casa. não vês? Estou caçando e você afugenta os ratinhos!

           Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou. Neste momento surgiu uma estrela que lhe disse para ir perguntar ao Sol, pois ele poderia ajudá-la. Depois de ouvir o conselho da estrela, a menina criou coragem para continuar o seu caminho. Finalmente, chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher bem velhinha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta e a cumprimentou.

– Bom dia, querida vovó.

– Bom dia, menina.

           A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se ela queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la, porque ela fiava sem cessar a sua roca não podia parar. Mas pediu à menina que descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou a lanterna e continuou a sua caminhada.

           Mais para frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava sentado à porta, consertando muitos sapatos. A menina cumprimentou-o e perguntou se ele conhecia o caminho do sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que seu caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois que descansou, pegou a sua lanterna e continuou a caminhada.

           Bem longe, avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima, pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a  para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem respondeu. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.

           Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou no topo, já era noite e o sol não estava lá.

– Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina e sentou na terra. Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.

           O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Então, ao amanhecer, ele desceu bem devagarzinho, para não acordar a menina e acendeu a sua lanterna. Depois que sol voltou para o céu, ela acordou.

– oh! A minha lanterna está acesa!

– Alegremente agradeceu ao sol e pôs-se a caminho novamente.

           Na volta, reencontrou a criança, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram, então, a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.

           A menina da lanterna continuou o seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste, na sua oficina. Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do sapateiro, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar os seus sapatos. A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta:

          E chegou ao casebre da velhinha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz. A fiandeira agradeceu e logo a sua roca girou sem cessar, fiando, fiando sem cansar.

           Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho de sua lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.

a menina ABRAÇOU A CADA UM E voltou muito feliz para sua casa, sempre cantando sua canção:

“Eu vou com minha lanterna,

e ela comigo vai

No céu brilham estrelas,

Na terra brilhamos nós.

a luz se apagou

BUSCÁ-LA eu vou

com minha lanterna na mão.”

Análise da história menina da lanterna

      Todos nós passamos por momentos difíceis na vida, momentos em que nos sentimos desorientados e sem rumo.

     Este momento é simbolizado na história quando a menina tem a luz de sua lanterna apagada e por consequência precisa iniciar um caminho de autodesenvolvimento para reencontrá-la.

     Em princípio ela encontra os animais que representam nossos instintos básicos e que precisam ser dominados. Todos eles negam-se a ajudá-la nesse momento, e ela adormece para um sonho. Nesse sonho recebe ajuda das estrelas que indicam o caminho a seguir.

     Posteriormente ela se depara com três partes que formam o homem: o pensar, o querer, e o sentir; representados respectivamente pela fiandeira que tece o fio do pensamento; o sapateiro que com sua vontade e ação faz sapatos que nos mantém os pés no chão; e a criança da bola que experiência o mundo com seus sentimentos. A menina da lanterna pede ajuda para a fiandeira, para o sapateiro e para a criança da bola, mas esta também é negada. A menina desanimada desiste; se entrega e adormece para um sono profundo. Ao despertar para o mundo físico ela encontra sua luz, e na volta ilumina o caminho daqueles que precisam, num gesto de doação e amadurecimento do seu sentir, querer e pensar. Ao reencontrar os animais e ajudá-los, também está reconhecendo seus instintos e dominando seu mundo interior.

       As crianças vão se aproximando deste conteúdo inconscientemente ano a ano, e dessa vivência tira lições muito importantes para a vida. A peça é vivenciada, anualmente, por ser um importante alimento anímico altamente energético!

Comemoração 100 anos da Pedagogia Waldorf

Palestra A Trimembração Social e a fundação da primeira Escola Waldorf 2019

Este ano comemoraremos o aniversário de 100 anos do nascimento da primeira escola Waldorf em Stuttgart, Alemanha, em setembro de 1919. E naquele mesmo momento Rudolf Steiner apresenta como base para a estruturação das escolas a ideia da Trimembração do organismo social dialogando com os fundamentos e valores trazidos por Rudolf Steiner referindo-se ao vínculo para a responsabilidade das escolas Waldorf com o futuro social da humanidade. Atualmente são aproximadamente 1.100 escolas de Ensino Fundamental e Médio e quase 2.000 de Educação Infantil distribuídas em 80 países nos diversos continentes, plenos de atividades muito interessantes!

No Brasil a primeira escola foi criada em 1956 em São Paulo, expandindo-se por todo o Brasil. Atualmente contamos com uma rede de 88 escolas filiadas além de 180 iniciativas acompanhadas ou em processo de filiação junto à Federação das Escolas Waldorf no Brasil (FEWB). 

Num país continental como o nosso, urge refletirmos sobre a educação Waldorf em tempos contemporâneos, seus desafios frente a diversidade cultural e social bem como suas dimensões globais. 

No dia 25 de abril de 2019, escolas waldorf de todo mundo estarão unidas na explanação do laço da Questão Social com a Pedagogia Waldorf, evidenciando assim o impulso da Trimembração Social e sua relevância ao colocar esses valores no mundo. Esta mesma data foi, em 1919, a primeira reunião entre Emil Molt, Karl Stockmeyer, Herbert Hahn e Rudolf Steiner, para planejar a nova escola.